segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Já passou algum tempo mas vale a pena recordar...

Procissão do Enterro do Senhor atraiu fiéis

Sexta Feira Santa, de Março de 2008
Semana Santa em São Miguel de Palhacana


Inserida no âmbito das celebrações da Semana Santa, realizou-se, em Ribafria, o Sermão da Paixão. Pela primeira vez, a Procissão do Enterro do Senhor, também chamada Procissão do Senhor Morto, teve lugar na noite da Sexta-Feira Santa e constituiu uma demonstração de religiosidade marcada pela sua solenidade e simbolismo.















Organizada pela Paróquia de São Miguel de Palhacana (freguesias de Pereiro de Palhacana e Ribafria), o cortejo decorreu num ambiente pesado e solene. Os fatos de carregado luto, as cores dominantes – o preto e o roxo – as alfaias e paramentos utilizados envolveram quem participou e quem assistiu. Prosseguiu sempre debaixo do maior silêncio, apenas cortado em vários locais do percurso onde se ouviram cânticos alusivos executados por um pequeno grupo de mulheres vestidas de preto. Depois do auto do descimento, representado pelo Grupo de Jovens, a procissão saiu da igreja paroquial de São Miguel de Palhacana em direcção à igreja de Ribafria.
A marcar o andamento da procissão iam as matracas - objectos que se utilizam nos dias anteriores à Páscoa (de quinta a domingo) para substituir o sino, que em sinal de luto não toca. Abrindo o cortejo ia a cruz com uma toalha, onde Cristo foi descido. Depois a confraria da Cruz Nova e de N.ª Sr.ª dos Prazeres da Aldeia Galega e a Irmandade de Santa Cruz e Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo de Alenquer, em duas alas com os archotes. A destacar-se na escuridão da noite, o ruído soturno das matracas e o bater compassado das suas varas no chão ao ritmo do andar vagaroso. Seguiu-se o Santo Sudário - que representa a mortalha de Cristo, um pano de linho com a imagem de Cristo de corpo inteiro - acompanhado pelos anjinhos dos martírios do Senhor. Ouviu-se a voz de Verónica que, nas três paragens que fez, entoou o seu canto e mostrou o pano com o rosto de Cristo. Seguidamente o turíbulo, que perfumava a rua para a passagem do esquife com a imagem do Senhor morto, ladeado com archotes, e logo atrás Nossa Senhora das Dores, no mudo simbolismo da angústia de quem sofre a morte do Filho amado. Chegada a procissão à igreja de Ribafria fez-se a tumulação do Senhor, onde os fiéis permaneceram em silêncio em veneração da imagem do Senhor no sepulcro. Presidiu à procissão o pároco, Padre Rui Louro, acompanhado pelo diácono Alfredo e seguido pelos fiéis.

domingo, 12 de outubro de 2008

Fotos que despertam para o convite...






Aqui fica um mapa!!




Um Convite para passeiar…


Gostava de propor um passeio pelas belas paragens de vinhedos e casarios brancos, localizados a cerca de uma meia hora de caminho, partindo de Lisboa pela A1, saída em Alenquer e continuar no sentido Torres Vedras e encontrará a indicação de Ribafria.

Estas terras constituem hoje um acidentado espaço com cerca de dezoito quilómetros quadrados que se desdobra em incontáveis colinas, portelas e vale, dominados a norte pelo autero perfil azulado da Serra de Montejunto.

Terras férteis de vinhedos, vinhas e cerejais oferecem ao visitante ocasional paisagens de deslumbramento que se podem admirar dos mirantes naturais: Sobreiros, Calçada, Silveira do Pinto, Soeiro Cunhado e Sítio de São Miguel.

A cobrir esta paisagem montanhosa e diversa, a mancha verde brilhante das vinhas, pomares e hortas, os tons verdes negros das pequenas matas e arvoredos dispersos aqui e ali os espaços alvadios das ”terras de pão” e um pouco por toda a parte, a brancura aconchegada do casario das quintas, dos casais, dos lugares e das aldeias ou as silhuetas melancólicas dos velhos moinhos de vento imobilizados nos visos das colinas. Dão o toque final a este belíssimo quadro naturalista os traços bem marcados da estradas, caminhos e veredas, as linhas que caligráficas dos “cômoros” ou das “estremas” de propriedade e o traçado escuro das cortinas de arvores `beira dos cursos de água.




Região marcada por séculos de história guarda ainda hoje os seus tesouros para quem queira descobrir.

Os velhos caminhos de calçada ou terra batida escondidos nas dobras das colinas entre arvoredos ou à descoberta de belos horizontes e de paisagem inesperada.



As aldeias e os lugares quase esquecidos, onde o ritmo calmo da vida e os seus grandes silêncios parecem pertencer a tempos já passados. As pequenas ermidas e Igrejas que guardam a sua beleza.

As tradições das festas cíclicas do Natal e do Entrudo, da Semana Santa e da Páscoa, dos Santos padroeiros, ainda vivas nas práticas tradicionais deste povo.

As velhas quintas solarengos de escuras adegas, repletas de história ligadas a um passado não muito distante de grande produção vinhateiras e da alegria das vindimas.





O antigo convento de S. Jerónimo, que nos deixaram o testemunho da fé das suas comunidades religiosas que à muito desapareceram das nossas terras.

O colorido da azáfama dos trabalhos das vindimas com cheiros e sons antigos a acordar e perfumar campos e povoações.

Tudo isto, e um sentido profundamente rural da vida, a quarenta e poucos quilómetros de grande cidade, onde a palavra campo há muito perdeu o sentido, fazem destas terras um espaço privilegiado para um visitante amigo da Natureza e dos valores da nossa terra.

II - Apontamento Histórico


Antigamente, existia a freguesia de S. Miguel de Palhacana que abarcava lugares que hoje estão distribuídos pelas freguesias de Pereiro de Palhacana e Ribafria. Por isso nessa época precedente, S. Miguel de Palhacana era uma das maiores freguesias do concelho de Alenquer, e o seu orago era o Arcanjo São Miguel. E ainda, existe a Igreja de S. Miguel de Palhacana, sendo a igreja paroquial da paróquia, que ainda mantêm o mesmo nome, tendo com freguesias Pereiro de Palhacana e mais recentemente Ribafria, bem como o grande cemitério contíguo, que recolhe os defuntos das duas freguesias. Esta Igreja chegou ameaçar ruína, mas em bom tempo disso escapou, por nela ter sido instalado um telhado novo que agora ostenta, bem como outras intervenções mais recentemente. Esta Igreja localiza-se num lugar quase ermo e de planalto, próximo da encruzilhada de estradas que seguem para Ribafria, Pereiro de Palhacana e Sobral de Monte Agraço. É uma Igreja de uma só nave e o seu interior foi despido das suas imagens e bens. Julga-se que na época das invasões napoleónicas, portanto em 1802, teria sido saqueada e utilizada, por ter grande dimensão interior, para recolha de cavalos e atrelados das tropas invasoras que devastaram este concelho.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Apontamento Histórico

A igreja de São Miguel, orago da Paroquia, «dista légua e meia de Alenquer para o Poente, é curado anexo à Igreja de Santo Estêvão e tem estes lugares: Azedia com vinte vizinhos ,Silveyra do Pinto com dezasseis, o Mato com trinta e dois aonde está um convento de frades de S. Jerónimo (…) o Outeiro do Vinagre com dez vizinho, Ribafria com cinquenta e uma ermida de Nossa Senhora do Egipto, Palaios com dezasseis e uma ermida,(…) Valverde com dezoito e uma ermida, Bom vizinho com catorze ,o Pereiro com trinta e um ermida do Espírito Santo (actual Igreja de Nª Sª da Conceição) com hospital para os passageiros e outra de Santo Amaro.» (Corografia portugueza,Lisboa, 1712.)

Confronta a norte com as paróquias de Aldeia Galega da Merceana e Aldeia Gavinha e Meca; a sul com o concelho de Sobral de Monte Agraço; a nascente com a paróquia de Carnota e a poente com o concelho de Torres Vedras.

A notícia mais antiga que se refere a este lugar é a da doação que D. Afonso Henriques faz, em 1162 ou 1164, ao mosteiro de São João de Tarouca, da herdade de Palhacana (Palhacaan) no termo de Alenquer. O topónimo Palhacana parece ter a sua origem em pallacana (que se lê palhacana, em castelhano), do latim de Plínio, e que significa “cebola dura, comprida, sem cabeça”. Pertencendo ao termo de Alenquer, em 1259 já era sede de Paróquia. Com a criação do município de Aldeia Galega, passou a pertencer ao termo deste.
O arquivo paroquial remonta a 1592.
Em 1758, três anos após o terramoto de 1755, o pároco Ignácio José Pereira de Castro fez dela a seguinte descrição:
«Hé o Arcanjo Sam Miguel o seu Orago, hé de huma só nave a Igreja,a capella mor, e dous altares collateraes, hum de N. Senhora e outro do Menino Deus» (Memórias Paroquiais)

Com a Implantação da Republica perde-se o culto nesta Igreja, e ela entra no mais completo abandono. Apenas fica na memória dos mais velhos, a celebrações dos sacramentos nesta igreja e a sua beleza artística.

Nos anos 50, a colocação de um telhado impediu a sua total destruição, mais tarde deu-se a aquisição de um novo sino para o lugar do sino «Simão», e retomou-se as feiras de S. Miguel.

Nos anos 80, houve novas obras e o povo comprou uma imagem de S. Miguel, que mais tarde foi furtada.

Em 2003, adquiriu-se uma nova Imagem do padroeiro, e a partir daí começou-se a cuidar deste local sagrado, e transferiu-se as principais solenidades para a Igreja Paroquial.

No ano de 2007, entrou novamente em obras, e pelo motivo da última imagem ser de pouca qualidade e demasiado pequena surgiu a possibilidade de adquirir a actual imagem.

Apresentação


Ao criar este blog, pensei na possibilidade de poder dar a conhecer a minha terra, bem como todas as suas riquezas, quer aquelas que ainda guarda e aquelas que parecem esquecidas nas memórias daqueles que vão partindo…
Acredito que é possível aqui guardar e partilhar com quem se interessa e apaixona quer pelas coisas da terra com as coisas do céu… aquelas memórias que quando ao serem contadas ganham vida, aquelas memorias que só as pedras da calçada podem guardar eternamente, bem como aquelas que se vão tornado presentes e fazem parte da vida e cultura de um povo… Aqui tem espaço todas essas memórias e acontecimentos que fazem parte das terras de São Miguel de Palhacana!


Um abraço e não deixem de passar por lá e se deixar apaixonar por estas terras!!!